sábado, 10 de setembro de 2011

Entrevista Jornal

Recentemente um jornal da cidade de Porto Feliz me pediu para responder algumas questões sobre sexualidade. Achei interessante e resolvi postar aqui.

1- Como funciona essa disparidade de diferença dos níveis sexuais?

Não sei se entendi bem a pergunta, mas lá vai:

Cada ser humano é único, fruto de uma família, com uma educação própria, experiências pessoais boas e não tão boas, medos, inseguranças, desejos, traumas, frustrações e fantasias.

A sexualidade é muito mais do que o ato sexual, ela tem a ver como cada indivíduo encara seu desejo no dia-a-dia, como lida com suas fantasias, como exerce sua capacidade de sedução e de entrega. Sexualidade é vida.

Pessoas diferentes, histórias diferentes: comportamentos sexuais diferentes.

2- Por que o homem deseja mais sexo que a mulher?

Historicamente o homem é o caçador, o conquistador, o desbravador, aquele que usa sua sexualidade para espalhar herdeiros pelo mundo, mantendo assim sua linhagem.

Trata-se de uma sexualidade competitiva, hormonal, enérgica, que pode ser exercida sem culpa, sem restrições, e que é incentivada pela sociedade.

À mulher, também historicamente, cabe a função de cuidar da casa, dos filhos, do bem-estar do lar. A ela compete escolher o homem mais corajoso e mais forte, que dela possa cuidar e proteger. A sexualidade, nesse caso, é exercida de uma forma recolhida, introspectiva, vigiada, atrelada ao casamento e à reprodução.

Usando exemplos mais modernos: o homem, ao voltar de um dia de trabalho exaustivo, encontra no sexo com a companheira um momento de relaxamento e alívio. Já a mulher necessita sentir-se amada e valorizada antes de se abrir para o sexo. O excesso de afazeres, a dupla jornada de trabalho, os múltiplos papéis de profissional, mãe, esposa, dona de casa e amante podem ser um balde de água fria no desejo sexual feminino.

O desejo existe: o que muda é a forma como ele se manifesta.

3- Existe uma estimativa de quantidade adequadas para um relação sexual por semana?

R: Não é possível estabelecer um número como critério de normalidade para as relações sexuais que um casal deve ter por semana ou por mês. Para alguns o normal é ter uma relação sexual por dia – para outros o que basta são duas vezes por mês...

Há que se levar em conta diversos fatores: idade, horas de trabalho, número de filhos, nível social e cultural.

Mais importante ainda: como está o desejo entre o casal?

O ideal é que haja uma harmonia entre o desejo do homem e da mulher, que haja um equilíbrio que satisfaça a ambos. A freqüência sexual adequada é a que agrada aos dois.

4- O que pode estimular mais o sexo?

Principalmente a auto-estima. Gostar e cuidar de si mesmo é fundamental para desenvolver uma sexualidade saudável.

Informar-se, esclarecer dúvidas, afastar os tabus e os preconceitos também são atitudes importantes. Há fontes confiáveis de informação em livros, revistas, jornais, Televisão e Internet.

Saber que a sexualidade saudável é um direito do ser humano, e consta como um dos itens de qualidade de vida da Organização Mundial da Saúde.

5- Você acha que um filho pode atrapalhar a relação sexual dos pais?

Quando nascem os filhos é natural que a atenção da mãe esteja voltada para os cuidados com a criança.

No período de amamentação ocorre uma diminuição fisiológica do desejo sexual da mulher, de causa hormonal. O marido/pai precisa apoiar e proteger a mãe, porém também pode sentir-se rejeitado e inclusive com ciúmes da relação mãe/bebê.

Passados os primeiros meses pós-parto, deve-se restabelecer a rotina do casal como homem/mulher, além de pai/mãe. Criar momentos no dia-a-dia para cultivar a relação a dois e manter o romance é fundamental para que a maternidade não atrapalhe a sexualidade dos pais.

6- Em média quanto pacientes atende por dia?

R: Eu sou médica com especialização em Ginecologia e Obstetrícia, Ultrassonografia e Terapia Sexual. O atendimento em Ginecologia e Ultrassonografia ocupa grande parte do meu tempo. Reservo horários específicos para o atendimento em Terapia Sexual: são sessões de cinqüenta minutos cada, individuais ou com o casal. Atendo em média 6 a 8 pacientes fixos por semana na área de Sexualidade: trata-se de um processo terapêutico, onde os pacientes retornam semanalmente para as sessões.

7-O que é uma ejaculação precoce?

R: A ejaculação precoce é aquela que ocorre muito rapidamente, por não haver controle voluntário da mesma, de forma constante ou ocasional. O conceito de ejaculação precoce, na verdade, aparece com a maior valorização do prazer feminino, pois se o homem ejacula muito rapidamente e, conseqüentemente, perde a ereção, não há como manter o coito durante o tempo suficiente para que a mulher seja estimulada a ponto de atingir o orgasmo.

8- Seus dados, informações de faculdade, breve currículo?

Nasci, moro e trabalho em Sorocaba.

Cursei a Faculdade de Medicina de Sorocaba – PUC/SP, onde me formei em 1987.

Fiz Residência em Ginecologia e Obstetrícia também em Sorocaba (PUC/SP).

Tenho pós-graduação em Terapia Sexual pela SBRASH(Sociedade Brasileira de Sexualidade Humana)/Faculdade de Medicina do ABC.

Fiz vários cursos de especialização na área de psicoterapia, como: Terapia Corporal, Psicossomática e Psicodrama.

Atualmente atendo no meu Consultório Particular em Sorocaba nas áreas de Ginecologia e Terapia Sexual.

Trabalho também no Conjunto Hospitalar de Sorocaba, como Médica Ginecologista/Obstetra e Ultrassonografista.

9- Um resumo sobre a impotência, dificuldade de obter orgasmo, a falta de desejo, ansiedade?

Impotência é um termo popularmente utilizado para designar a Disfunção Erétil, que ocorre quando o homem não consegue manter uma ereção suficiente para efetuar a penetração e prosseguir com a relação sexual até a ejaculação. Essa disfunção pode ser constante ou ocasional, total ou parcial. As causas podem ser orgânicas ou emocionais.

Anorgasmia: queixa feminina freqüente. Incapacidade de atingir o orgasmo em todas ou em algumas relações sexuais.

Desejo sexual hipoativo: pode acometer tanto o homem quanto a mulher. Há diminuição do desejo sexual num nível tal que acarreta sofrimento e distanciamento do casal.

Vaginismo: disfunção feminina de causa emocional em que ocorre uma contratura da musculatura vaginal que impede a penetração.

10- todo casal deve procurar um terapeuta sexual, por que?

R: Creio que um casal pode se beneficiar com a terapia sexual em várias situações:

- Para orientação e educação sexual: o terapeuta pode ajudar a esclarecer dúvidas sobre aspectos biológicos e anatômicos da sexualidade. Por incrível que pareça há muita desinformação nessa área.

- Para questionamentos específicos sobre o relacionamento sexual:

Ø O assunto antes comentado, sobre a freqüência de relações sexuais, é uma dúvida constante.

Ø O que é o orgasmo feminino?

Ø Existem diversos mitos, que devem ser discutidos e esclarecidos, como os abaixo:

· homem sempre tem de estar a fim de transar;

· mulher direita não faz sexo antes do casamento, mas quando casa tem de fazer sexo sempre que o marido quer:

· homem nunca pode perder a ereção;

· a mulher tem ejaculação (!);

· mulher tem que ter orgasmo em todas as relações... etc.

- Para melhorar e restabelecer a comunicação entre o casal.

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